The Beatles
| Ringo, Paul, George e John. Logo icônico criado por Ivor Arbiter. |
Se há uma banda que definiu bem o que é o rock 'n' roll, e também ajudou a criar diversos estilos, sem dúvidas essa banda é o The Beatles. E não, eles não são "superestimados", na real não há como sequer conseguir mensurar de fato uma estimação adequada para eles, pois a importância deles para a história não só do rock, como da música em si, é inestimável. Os garotos de Liverpool John Lennon (guitarra e vocais) e Paul McCartney (baixo e vocais) se conheceram no final dos anos 1950 e posteriormente se juntaram com George Harrison (guitarra e vocais), formando os Quarrymen, juntamente com outros músicos como Stuart Sutcliffe (baixista) - posteriormente os Quarrymen voltariam com outra formação em 1997, mas já sem nenhuma ligação com os Beatles.
No ano de 1960 se reuniram como os Beatals (uma homenagem à banda original do Buddy Holly, The Crickets), que depois viraram The Silver Beetles, e por fim, numa mistura de "beat" (batida, som, em inglês) e beetles (besouros em inglês), eles virariam os Beatles, unindo-se a eles Pete Best (bateria), que posteriormente, após algumas gravações, seria substituído pelo baterista que ficaria até o fim da banda, Richard Starkey, ou Ringo Starr. Stuart também acabou deixando o grupo muito cedo devido seu falecimento repentino após uma hemorragia cerebral em 1962. Enfim, com a ajuda do empresário Brian Epstein e do produtor George Martin, começariam uma longa carreira no disco Please Please Me (inspirado no skiffle, no merseybeat e no twist) de 1963, sem imaginar que estavam começando uma revolução sonora e musical, a Beatlemania!
Ao longo da década de 1960 os Beatles acabaram por serem os primeiros a atravessarem o oceano Atlântico saindo do Reino Unido rumo à pátria do rock, os EUA, dando origem à Invasão Britânica, mas ainda nos primórdios como uma banda bem mais comercial, refletido inclusive em seus filmes "Os Reis do Iê-Iê-Iê" (nome brasileiro de "A Hard Day's Night", e que acabou dando um dos nomes da Jovem Guarda no Brasil, iê-iê-iê, inspirado nos gritos de Yeah da música "She Loves You") e "Help!". Porém na segunda metade dos anos 1960 a banda elevou seu talento para um experimentalismo que cruzou fronteiras incríveis, ajudando a forjar estilos como o rock psicodélico, o ragga rock, o rock progressivo, o hard rock, a música concreta, o rock alternativo, o rock sinfônico, o reggae e até mesmo o punk, o heavy metal e o stoner rock/metal! Seus videoclipes e o incrível (porém subestimado) filme "Magical Mystery Tour", bem como o desenho animado "Yellow Submarine" também são frutos dessa criatividade insana da banda que mudou de fato a história da música.
Infelizmente a genialidade por vezes conflitante dos integrantes da banda, bem como problemas de gerência financeira, conflitos internos, dentre outras pressões, levariam a banda a encerrar atividades extraoficialmente no final de 1969, e oficialmente em 1970 com uma declaração de Paul McCartney pouco antes do lançamento de seu primeiro disco solo oficial. A essa altura, todos os Beatles já vinham trabalhando em projetos solo, o que já indicava que mais hora menos hora a banda se desfaria. Esforços para um retorno chegaram a ser cogitados ao longo da década de 1970, mas nenhum realmente foi eficaz o suficiente para concretizar essa vontade dos fãs, e as esperanças morreram de vez a 8 de dezembro de 1980, quando John Lennon foi assassinado na frente de seu prédio em Nova Iorque por um suposto ex-fã de seu trabalho e que virara um maníaco fanático religioso com desejos de exterminar com todos os Beatles. Ao menos nos anos 1990 os ainda sobreviventes membros chegaram a gravar duas músicas juntos para o projeto Anthology, a tempo de captar o trabalho excelente do George Harrison, que nos deixou a 29 de setembro de 2001 vítima de câncer - curiosamente ele escapou no final de 1999 de um outro maníaco armado com faca que invadira sua casa.
Please Please Me (22 de março de 1963)
01 - I Saw Her Standing There
02 - Misery
03 - Anna (Go to Him) (Arthur Alexander cover)
04 - Chains
05 - Boys (The Shirelles cover)
06 - Ask Me Why
07 - Please Please Me
08 - Love Me Do
09 - P.S. I Love You
10 - Baby It's You (The Shirelles cover)
11 - Do You Want To Know A Secret
12 - A Taste of Honey
13 - There's a Place
14 - Twist and Shout (The Top Notes cover)
Um dos discos bases do que no Brasil seria a Jovem Guarda, tendo várias músicas coverizadas por aqui, isso sem falar das que já eram covers - inclusive de grupos vocais de R&B femininos americanos -, como a extremamente bem sucedida Twist and Shout (com seu riff ripado de "La Bamba" de Richie Valens), e que voltaria às paradas de sucesso ao aparecer apoteoticamente no filme "Curtindo a Vida Adoidado" de 1986, dublada pelo personagem do Matthew Broderick, Ferris Bueler. Além dessa, os maiores destaques vão para as românticas e incríveis Misery, Please Please Me, P.S. I Love You e a inconfundível Love Me Do, música que contou com TRÊS versões diferentes. Essa do disco foi tocada a bateria por um baterista de estúdio, Andy White. A versão com o Pete Best, uma das poucas gravações dele na banda, só apareceu na coletânea Anthology. Já a com Ringo saiu em single e em coletâneas como Past Masters e 1. É um ótimo disco, principalmente para os fãs da fase mais original da banda.
Curiosidade: Nos EUA (sempre eles...) o disco só foi sair de fato com a padronização dos lançamentos da banda, muitos anos depois. Por anos só se conhecia por lá versões como Introducing... The Beatles e The Early Beatles, coletâneas com outras músicas de outros discos, algo parecido com o que aconteceria depois com o AC/DC.
01 - It Won't Be Long
02 - All I've Got to Do
03 - All My Loving
04 - Don't Bother Me
05 - Little Me
06 - Till There Was You (Meredith Willson cover)
07 - Please Mister Postman (The Marvelletes cover)
08 - Roll Over Beethoven (Chuck Berry cover)
09 - Hold me Tight
10 - You Really Got A Hold On Me
11 - I Wanna Be Your Man
12 - Devil in Her Heart (Ricky Dee cover)
13 - Not a Second Time
14 - Money (That's What I Want) (Barrett Strong cover)
Disco que contém algumas das canções que mais marcaram o início da minha vida, como All My Loving, uma das canções que ganhou uma versão famosíssima na Jovem Guarda por parte de Renato e Seus Blue Caps (Feche os Olhos). A banda aperfeiçoou muito aqui o chamado por alguns de "beatle-esque" de vocais, onde os quatro cantam como verdadeiros cantores de corais a capella ou grupos vocais, com o solista (sempre alternando entre eles por música) e os outros fazendo os vocais de acompanhamento, algo que seria marcante da banda mesmo em suas fases mais experimentais mais pra frente, e inspirando até mesmo bandas de metal como King's X e Galactic Cowboys.
Esse disco contém a primeira canção a não ser da "dupla Lennon/McCartney" (como costumavam ambos assinarem suas canções, embora muitas eram mais Lennon, outras mais Macca, enfim), "Don't Bother Me", por parte do George Harrison, uma boa canção, que já mostra que ele tinha bom talento sim para compor desde os primórdios - talvez não tão ativamente quanto os outros dois, mas sim, sabia fazer bem. Os covers, principalmente pra Money, ficaram fantásticos.
CURIOSIDADE: Essa capa, bem como algumas outras da banda, como Hard Day's Night, Let it Be, Abbey Road e Sgt. Peppers, geraram várias homenagens e paródias ao longo dos anos.
A Hard Day's Night (10 de julho de 1964)
01 - A Hard Day's Night
02 - I Should Have Know Better
03 - If I Feel
04 - I'm Happy Just To Dance With You
05 - And Love Her
06 - Tell Me Why
07 - Can't Buy Me Love
08 - Any Time At All
09 - I'll Cry Instead
10 - Things We Said Today
11 - When I Get Home
12 - You Can't Do That
13 - I'll Be Back
Outro disco cujas músicas fizeram parte da minha infância (ora, fizeram parte da coletânea The Beatles brasileira - baseada na inglesa Oldies - que minha mãe possuía). Canções como as três primeiras evidenciam bem a qualidade sonora da banda, seguindo os elementos do "beatle-esque". And I Love Her com seus arranjos meio latinos e percussão bem nessa linha é minha preferida desse disco em todos os tempos. Esse foi o primeiro disco da banda a ser lançado nos EUA oficialmente quase que na mesma época, ainda que com uma ordem de músicas e até músicas inclusas diferentes da original britânica, tudo por ser também o primeiro disco "trilha sonora" da banda, sendo lançado juntamente ao filme de mesmo nome, que no Brasil ficou conhecido como "Os Reis do Iê-Iê-Iê", e foi assim que o disco foi lançado por essas terras em 1965:
Foi por esse tempo que os Beatles finalmente atravessaram o Atlântico em definitivo, com o single "I Want to Hold Your Hand", participando do The Ed Sullivan Show e promovendo uma revolução sonora pro mundo inteiro a partir de então, preparando terreno para outras bandas britânicas da época, como Rolling Stones, Animals, Zombies, Yardbirds, The Who, The Kinks, entre muitas outras.
Curiosidade: Único disco da banda com músicas totalmente creditadas como Lennon/McCartney
Beatles for Sale (4 de dezembro de 1964)
01 - No Reply
02 - I'm a Loser
03 - Baby's in Black
04 - Rock and Roll Music (Chuck Berry cover)
05 - I'll Follow the Sun
06 - Mr. Moonlight (Roy Lee Johnson cover)
07 - Kansas City/Hey-Hey-Hey-Hey (Wilbert Harrison / Little Richard cover)
08 - Eight Days A Week
09 - Words of Love (Buddy Holly cover)
10 - Honey Don't (Carl Perkins cover)
11 - Every Little Thing
12 - I Don't Want to Spoil the Party
13 - What You're Doing
14 - Everybody's Trying To Be My Baby
O meu menos predileto disco da banda, a despeito de possuir duas das minhas canções prediletas da banda (I'm a Loser e Eight Days a Week), além do cover insano de Rock and Roll Music. De resto é quase uma repetição da fórmula em vários momentos, o que chega a ser meio cansativo, porém não significa que seja um disco ruim, tem vários outros bons momentos, como a faixa Baby's in Black e o cover de Words of Love por exemplo. Mas no geral não é um disco que eu curto tanto da banda.
Help! (6 de agosto de 1965)
01 - Help!
02 - The Night Before
03 - You've Got to Hide Your Love Away
04 - I Need You
05 - Another Girl
06 - You're Going to Lose That Girl
07 - Ticket to Ride
08 - Act Naturally (Buck Owens and The Buckaroos cover)
09 - It's Only Love
10 - You Like Me To Much
11 - Tell Me What You See
12 - I've Seen That Face
13 - Yesterday
14 - Dizzy Miss Lizzy (Larry Williams cover)
Disco que marcou uma sutil mudança na banda, que passou a apostar, ainda que timidamente neste, um pouco de experimentalismo. Yesterday, a música mais regravada da banda, na época em que foi gravada, deixou seu compositor Paul McCartney um tanto desconfortável por uma música com um quarteto de cordas, imaginava ele que isso não soaria bem pra um rock, mas o sucesso impressionante da faixa logo o fez perceber que essa ideia era boa (tão boa que pouco mais tarde ele repetiria a dose de maneira mais ativa em Eleanor Rigby). Embora não incluído aqui, no filme que esse disco foi trilha sonora temos o primeiro contato de George Harrison com uma cítara, instrumento indiano que seria importantíssimo para ele e pra banda em si pelos próximos discos. Aliás, seria inclusive a porta de entrada do beatle na cultura hindu e no hinduísmo em si. George aqui contribui diretamente com duas músicas, a belíssima I Need You e a fantástica You Like Me To Much. You've Got to Hide Your Love Away tem uma pegada folk bem na linha de Bob Dylan, de quem o John Lennon virou fã incondicional (embora anos mais tarde, com a conversão de Bob Dylan, tenha rolado um certo entrevero ideológico entre os dois). Os maiores sucessos do disco, além da faixa título e Yesterday, sem dúvidas foi o cover para Dizzy Miss Lizzy, You Gonna Lose that Girl, Another Girl e a inesquecível Ticket to Hide. Aliás, essa, Help e Yesterday, juntamente com a Lady Jane de Rolling Stones, foram as citadas na faixa "C'era un ragazzo che come me amava i Beatles i Rolling Stones", canção do italiano Gianni Morandi gravada em 1966 (sim, bem em meio a Beatlemania e a invasão britânica, pra se ver o impacto que eles tinham por essa época já), e que foi regravada em várias versões por diversos cantores ao longo dos anos, como Joan Baez, Os Incríveis e Engenheiros do Hawaii, só pra citar alguns, mostrando o impacto que o disco e o filme Help! tiveram na cultura pop mundo afora.
Rubber Soul (3 de dezembro de 1965)
01 - Drive my Car
02 - Norwegan Wood (The Bird has Flown)
03 - You Won't See Me
04 - Nowhere Man
05 - Think For Yourself
06 - The Word
07 - Michelle
08 - What Goes On
09 - Girl
10 - I'm Looking Through You
11 - In My Life
12 - Wait
13 - If I Needed Someone
14 - Run for Your Life
Se em Help! a banda começava a timidamente mudar seus enfoques tanto lírica como sonoramente, Rubber Soul deixou isso ainda mais claro do que nunca. É um disco mais de transição da fase anterior para a fase mais experimental, é verdade, mas os experimentalismos e a sonoridade mais corajosa já começam ainda em "Drive my Car", mas sem dúvidas a surrealística e um tanto metafórica Norwegan Wood (em que John relata de maneira bem metafórica uma traição que ele cometera a sua então esposa Cinthya com uma descendente de norueguesa) e a inclusão da cítara nesta, bem como arranjos mais fortes, letras mais confessionais como In My Life e até questionadoras como Nowhere Man. É sem sombra de dúvidas um disco extremamente necessário dentro da carreira da banda, mostrando um pouco os rumos que a carreira deles tomaria a seguir.
Curiosidade: Finalmente um disco dos Beatles lançado tanto no Reino Unido quanto nos EUA com o mesmo nome e capa, sem nenhuma mudança, a não ser, como sempre, na ordem e seleção das músicas. A partir daqui finalmente isso seria melhor padronizado, para evitar casos como o posterior "Yesterday and Today" (coletânea que inspirou o nome da banda que depois ficaria mais conhecida como Y&T, mas que deu um problemão com a capa bizarra...)
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| A capa depois foi substituída por uma mais simples e careta... sim, os Beatles foram precursores do death metal kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk |
Revolver (5 de agosto de 1966)
01 - Taxman
02 - Eleanor Rigby
03 - I'm Only Sleeping
04 - Love You To
05 - Here, There and Everywhere
06 - Yellow Submarine
07 - She Said, She Said
08 - Good Day Sunshine
09 - And Your Bird Can Sing
10 - For No One
11 - Doctor Robert
12 - I Want to Tell You
13 - Got To Get You Into My Life
14 - Tomorrow Never Knows
Não há palavras suficientes para descrever a importância de Revolver pra história do rock e da música como um todo. Nesse disco os Beatles ingressaram de vez no rock psicodélico, removendo praticamente todos os resquícios de sua fase mais comercial, já pela capa insana é possível ver isso, mas ainda na faixa "Taxman", a abertura, com as guitarras bem na linha do psicodelismo, ainda mais notório em letras e músicas como Yellow Submarine, Doctor Robert, She Said She Said, Got to Get You Into My Life e principalmente Tomorrow Never Knows e seus loopings, inaugurando o uso de música eletrônica no pop. A cítara de Harrison bem mais apurada em Love You To, as guitarras invertidas de I'm Only Sleeping e o rock sinfônico e adocicado de Eleanor Rigby dão a tônica da amplitude que a banda buscava atingir musicalmente e liricamente também. Enfim, um submarino amarelo pronto para nos levar para novos rumos. Sim, até a singela e infantil Yellow Submarine (que posteriormente viraria o tema do desenho animado da banda) tem parte nessa viagem sonora incrível que é Revolver.
Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (26 de maio de 1967)
01 - Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band
02 - With a Little Help for My Friends
03 - Lucy in the Sky with Diamonds
04 - Getting Better
05 - Fixing a Hole
06 - She's Leaving Home
07 - Being For The Benefit of Mr. Kite!
08 - Within You Without You
09 - When I'm Sixty-Four
10 - Lovely Rita
11 - Good Morning Good Morning
12 - Sgt. Pepper's Lonley Hearts Club Band (Reprise)
13 - A Day in Life
E pensar que tudo começou com um disco dos Beach Boys, Pet Sounds (inspirado curiosamente em Rubber Soul). Considerado um dos álbuns mais inovadores de sua época, acabou levando os Beatles a "toparem o desafio" de fazer um ainda mais inovador. E, sem dúvidas, SPLHCB não decepciona nem um pouco. Provavelmente sendo o primeiro álbum conceitual da história, traz consigo diversas músicas inovadoras, se utilizando de diversos instrumentos e técnicas sonoras bem construídas. A história da "banda fictícia" acabou servindo bem ao propósito da banda, levando eles ao auge criativo - ainda que mais pra frente os discos seguintes trouxessem ainda mais experimentalismos que este mesmo. Mas em nível de sequência bem construída, esse disco supera e muito todos que vieram a seguir. A psicodelia de Lucy in the Sky with Diamonds (que muitos enxergaram como um trocadilho com L.S.D., o ácido lisérgico, droga mais usada na época e que dava "visões lisérgicas" para seus usuários) é um bom exemplo do poder musical desse disco, bem como a eletrônica Getting Better, a icônica faixa título e sua reprise, bem como outras faixas incríveis como Within You Without You, Fixing a Hole, With a Little Help for My Friends (que foi uma das poucas canções da banda a terem uma versão definitiva na voz de outra pessoa, o saudoso Joe Cocker), e a possivelmente melhor canção dos Beatles de todos os tempos na opinião de muitos (incluíndo eu), a insana A Day in Life, com uma letra insana e diversos arranjos fora de série, como um despertador, quarenta instrumentistas de orquestra fazendo alguns crescendos, três pianos diferentes tocando em mi maior por vários segundos simutaneamente e com overdub e um final em looping (unicamente no LP) de um trecho de uma festa (que pode ser vista no clipe dessa música) com convidados como Donovan, Marianne Faithfull, Mick Jagger e Keith Richards (Rolling Stones), bem como diversos outros músicos, amigos da banda e Pattie Boyd (então namorada de George Harrison). Sem dúvidas o disco, já apoteótico por si só, termina com chave de ouro uma das experiências mais insanas que o rock poderia produzir.
A capa é provavelmente uma das mais marcantes jamais vistas até hoje, diversas vezes imitada (como quando os amigos Rolling Stones fizeram seu único disco plenamente psicodélico, Their Satanic Majestic Requests) e até parodiada (como o caso de We're Only It for Money de Frank Zappa and the Mothers of Invention), além de ter sido um dos elementos que muitos usaram para a lenda urbana da morte de Paul McCartney (Abbey Road também seria alvo disso, mas falarei mais posteriormente). Basicamente a ideia dos conspiracionistas é que essa capa seria um "enterro", nesse caso, do Paul. Alguns afirmam que a própria banda meio que incentivou essas teorias também, mas isso jamais ficou claro de fato.
Curiosidade mórbida: Há quem diga que Brian Wilson, líder dos Beach Boys, jamais superou ter sido superado pelos Beatles nesse disco, e projetou insanamente o disco "Smile", para ser superior ao SPLHCB, o que acabou levando-o a problemas mentais enormes e o disco acabou nunca ficando realmente pronto para o lançamento (só em 2004, muitos anos depois, uma versão do que seria o Smile foi gravada solo pelo Brian com a ajuda de músicos de sua banda solo).
Magical Mystery Tour (27 de novembro de 1967)
01 - Magical Mystery Tour
02 - The Fool on the Hill
03 - Flying (instrumental)
04 - Blue Jay Way
05 - Your Mother Should Know
06 - I Am the Walrus
07 - Hello Goodbye
08 - Strawberry Fields Forever
09 - Penny Lane
10 - Baby You're a Rich Man
11 - All You Need is Love
OBS: essa é a ordem do disco americano. No Reino Unido saiu como um EP de seis faixas (só as seis primeiras), mas acabou O AMERICANO sendo adotado como o lançamento oficial pela primeira e única vez na história da banda!
O EP por si só é uma continuação básica do que a banda já vinha fazendo desde Revolver e desenvolveu mais em SPLHCB. Letras insanas e instrumentação bem psicodélica e experimental, como na instrumental assinada a quatro mãos Flying, ou na lisérgica Blue Jay Way, ou na críptica I Am the Walrus. Incrivelmente, a versão completa americana complementa bem com alguns singles lançados pela banda nesse período, como a dupla de canções de nostalgia infantil Strawberry Fields Forever (que conta um pouco a infância do John Lennon) e Penny Lane (essa falando mais da infância do Paul), e que se tornaram duas das placas de locais mais "vandalizadas" da história com várias marcas de fãs que passaram por Strawberry Fields e Penny Lane. A icônica All You Need is Love também marca bem esse disco, que também foi a trilha sonora do não tão bem sucedido (porém ótimo) filme de mesmo nome. Acabou por se tornar meu disco predileto da banda de todos os tempos. Infelizmente também marcou a despedida da banda da linha mais psicodélica, e eles iriam entrar num experimentalismo obscuro, até meio inconsistente, no disco seguinte...
The Beatles (álbum branco) (22 de novembro de 1968)
Disco Um:
01 - Back in the U.R.S.S.
02 - Dear Prudence
03 - Glass Onion
04 - Ob-La-Di Ob-La-Da
05 - Wild Honey Pie
06 - The Continuing Story of Bungalow Bill
07 - While My Guitar Gently Weeps
08 - Happiness Is A Warm Gun
09 - Martha My Dear
10 - I'm So Bored
11 - Blackbird
12 - Piggies
13 - Rocky Racoon
14 - Don't Pass me By
15 - Why Don't We Do It In The Road?
16 - I Will
17 - Julia
Disco Dois:
01 - Birthday
02 - Yer Blues
03 - Mother's Nature Son
04 - Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey
05 - Sexy Sadie
06 - Helter Skelter
07 - Long, Long, Long
08 - Revolution 1
09 - Martha My Dear
10 - Savoy Truffle
11 - Cry Baby Cry
12 - Revolution 9
13 - Good Night
O maior, e ao mesmo tempo, mais experimental (e meio que também inconsistente) disco da banda. Nascido de muitas disputas internas - Ringo e George chegaram a anunciar suas saídas da banda em momentos diferentes da composição e gravação do disco -, desinteresse por parte da banda em alguns momentos (When my Guitar... só saiu após George convidar seu amigo Eric Clapton - à época na banda Cream - para gravar junto com ele essa canção), canções muito exclusivas de cada um (a já citada do Harrison, Don't Pass me By - a primeira só do Ringo -, Helter Skelter - nomeada por Lennon como "coisas do Paul" -, e, claro, a insana Revolution 9 do Lennon e Yoko Ono, sua então nova namorada - e erroneamente considerada a culpada pelo fim da banda, ignorando-se os problemas internos cada vez maiores que já vinham desde o ano anterior após a morte precoce de Brian Epstein e do início da malfadada gravadora deles, a Apple - que não, não tem nada a ver com a empresa do iPhone kkkk), enfim, alguns dos elementos que mostram como o clima não tava nada bom nesse disco.
Ainda assim, é um disco com muitos, muitos mesmo, bons momentos, letras com críticas ácidas, como Revolution 1 e Sexy Sadie (essa, curiosamente, contra o guru Maharishi Mahesh Yogi, que a banda conheceu em sua viagem a Índia naquele ano, supostamente por ele cobrar dinheiro deles e também paquerar a atriz Mia Farrow, que também tinha ido pra essa viagem junto a outras celebridades) - e isso porque o disco foi acusado de ser "apolítico" na época da efervescência política e cultural daqueles tempos de movimento Hippie e guerra do Vietnã! Algumas faixas realmente são bem fora dos padrões, como a meio ska "Ob-La-Di Ob-La-Da", a proto-metal Helter Skelter (que infelizmente ficou marcada por, junto com outras faixas desse álbum, ser usada pelo insano Charles Manson e sua "Família" para cometerem diversos assassinatos) e a bizarra Revolution 9, as vezes considerada "a melhor" faixa da banda - por gente bem maluca, só pode - ou "a pior" faixa da banda (não chego a pensar isso), com suas colagens e influências de música concreta. Mas no geral, o disco tem muitas canções boas e valiosas, mesmo que passe longe de ser um disco consistente.
CURIOSIDADE: Por incrível que pareça, a banda chegou a gravar muitas outras músicas que não foram pro disco, algumas reapareceram em discos seguintes da banda, algumas renomeadas inclusive, outras foram reaproveitadas pelos Beatles em suas carreiras solo.
Yellow Submarine (13 de janeiro de 1969)
01 - Yellow Submarine
02 - Only A Northern Song
03 - All Together Now
04 - Hey Bulldog
05 - It's All Too Much
06 - All You Need Is Love
07 - Pepperland (trilha de George Martin)
08 - Sea of Time (trilha de George Martin)
09 - Sea of Holes (trilha de George Martin)
10 - Sea of Monsters (trilha de George Martin)
11 - March of the Meanies (trilha de George Martin)
12 - Pepperland Laid Waste (trilha de George Martin)
13 - Yellow Submarine in Pepperland
Infantil como o desenho animado do qual o disco foi trilha sonora, não chega a ser propriamente dito um disco da banda, ao menos não apenas da banda, e sim também um disco de trilhas do produtor George Martin, usadas no desenho animado de mesmo nome. Ao menos seis faixas entretanto realmente são da banda, sendo as duas velhas conhecidas Yellow Submarine e All You Need is Love e quatro inéditas com um ar meio infantil e meio psicodélico como a viagem no submarino amarelo deve ser (e o próprio desenho também o foi). Não é um disco "indispensável", mas é um bom disco para se ouvir numa trip boa.
Abbey Road (26 de setembro de 1969)
01 - Come Together
02 - Something
03 - Maxwell's Silver Hammer
04 - Oh! Darling
05 - Octopus's Garden
06 - I Want You (She's So Heavy)
07 - Here Comes the Sun
08 - Because
09 a 18 - Abbey Road Medley: Your Never Give Me Your Money / Sun King / Mean Mr. Mustard / Polythene Pam / She Came in Through the Bathroom Window / Golden Slumbers / Carry The Weight / The End / Her Majesty (que deveria na verdade ser a ponte entre Mean Mr. Mustard e Polytheme Pam, mas acabou posicionada no final)
OBS: Por questões cronológicas de lançamento esse disco aparece primeiro, mas minha análise a ele foi posterior a do Let it Be.
O disco realmente de despedida da banda (apesar de lançado antes de seu "antecessor") nos reserva alguns dos momentos mais incríveis da banda, como a segunda canção mais regravada da banda, a belíssima harrisoniana "Something", a nonsense, porém bela starkeyana "Octopus's Garden", a única "canção plagiada" dos Beatles, Come Together (que virou hino para o rei do LSD Timonthy Heary para o governo da Califórnia em 1969, mas que não lhe conferiu o cargo, além de render acusações - não de todo injustificáveis - de plágio da canção "You Can't Catch Me" do mestre Chuck Berry) e a quase desesperada I Want You (She's So Heavy), feita por John em homenagem a Yoko e que trazia uma sonoridade tão forte que inspiraria grupos de doom metal e stoner rock/metal. E assim se encerrava o lado A, o lado "John Lennon".
Já o lado B, mais "Paul McCartney", além da harrisoniana "Here Comes the Sun" (que já refletia bem o que viria a ser o disco All Things Have Must Pass do próprio George) e a bela Because, trazia um trabalho meio conceitual, meio rock progressivo, um quase medley de 10 canções com alguma conexão entre elas, que termina de maneira apoteótica com o único solo de bateria do Ringo em sua história da banda em The End (que realmente foi a última música que os quatro tocaram juntos como Beatles, um "The End" digno pra banda).
Pra muitos, o melhor disco da banda, o que mais refinou o que eles eram, e, claro, também lembrado pela icônica capa atravessando a Abbey Road e que rendeu muitas conspirações dementes de ser o "cortejo fúnebre do Paul". Enfim, a imaginação fértil de críticos bobos da banda sempre ativa.
Let it Be (8 de maio de 1970)
01 - Two of Us
02 - Dig a Pony
03 - Across the Universe
04 - I Me Mine
05 - Dig It
06 - Let it Be
07 - Maggie Mae
08 - I've Got a Feeling
09 - One After 909
10 - The Long and Widing Road
11 - For You Blue
12 - Get Back
OBS: Por questões de cronologia de lançamento esse disco aparece após o Abbey Road, mas sua análise foi feita primeiro.
Curioso que, juntamente com a coletânea Oldies, esse foi meu primeiro contato com os Beatles, no seu último disco lançado - mesmo que não o último gravado. Lançado já "postumamente" (já que a banda oficialmente já estava extinta quase um mês antes e extraoficialmente desde o último trimestre de 1969). O disco originalmente seria lançado com o nome Get Back (inclusive saindo singles dessa música à época) em 1969, e a ideia era meio que um quase retorno às origens, com uma sonoridade mais pop, ainda que com muito do que a banda aprendeu em experiências sonoras, como o feedback de "Across the Universe" pode comprovar. Entretanto o projeto acabou engavetado após conflitos internos visíveis nos filmes Let it Be (1970) e na série mais recente Get Back (2021), mesmo com a incrível apresentação no telhado do estúdio da Apple em Abbey Road. Após o fim da banda, o disco foi retrabalhado com a ajuda do criador do Wall of Sound Phil Spector, e lançado finalmente com o nome Let it Be.
Apesar disso, o disco é controverso porque foi um dos poucos, senão o único, que chegou a ser pavoneado pelos críticos de sua época (e até alguns até hoje). Uma injustiça, pois pra mim é um disco com boníssimos momentos, e nem falo de nostalgia não. Agora, é fato, o disco sofreu demais com intervenções externas por parte do Phil Spector, algo que foi criticado até mesmo por membros da banda. Tão criticado aliás que em 2003, vários anos mais tarde, Paul McCartney conseguiu lançar uma versão "naked" do disco, bem mais clean em termos de produção, e que refletia melhor o que teria sido o Get Back.
Past Masters (coletânea, 1988)
Volume One:
01 - Love Me Do
02 - From Me To You
03 - Thank You Girl
04 - She Loves You
05 - I'll Get You
06 - I Want To Hold Your Hand
07 - This Boy
08 - Komm, Gib Mir Deine Hand
09 - Sie Liebt Dich
10 - Long Tall Sally (Little Richard cover)
11 - I Call Your Name
12 - Slow Down (Larry Williams cover)
13 - Matchbox (Carl Perkins cover)
14 - I Feel Fine
15 - She's a Woman
16 - Bad Boy (Larry Williams cover)
17 - Yes It Is
18 - I'm Down
Volume Two:
01 - Day Tripper
02 - We Can Work It Out
03 - Papperback Writer
04 - Rain
05 - Lady Madonna
06 - The Inner Light
07 - Hey Jude
08 - Revolution
09 - Get Back
10 - Don't Let Me Down
11 - The Ballad of John And Yoko
12 - Old Brown Shoe
13 - Across the Universe
14 - Let it Be
15 - You Know My Name (Look Up The Number)
Coletânea dupla com todos os singles lançados pela banda, a exceção das músicas que saíram em Magical Mystery Tour. É uma ótima viagem em diversas fases da banda, sendo o volume um muito mais baseado na fase mais pop, e o volume dois mais focado na fase experimental. É possível aqui se deparar com raridades, como a versão de Love me Do tocada pelo Ringo na bateria, as clássicas She Loves You e I Wanna Hold Your Hand nas versões originais e em alemão (!), Let it Be, Get Back e Across the Universe sem a "spectorização", Revolution original, além de outras canções incríveis, como Don't Let me Down, Lady Madonna, Hey Jude, The Ballad of John and Yoko e várias outras que acabaram excluídas dos discos oficiais, mostrando a capacidade incrível da banda sempre.
Outros lançamentos
Live at BBC (1994)
Anthology (1995, vários discos)
Oldies (lançada no Brasil como The Beatles)
1 (One) - Todos os singles da banda que atingiram o número 1 das paradas
Let it Be... Naked (2003, versão sem os acréscimos feitos por Phil Spector)
1963-1966 (capa ripada do disco Please Please Me)
1967-1970 (capa em homenagem ao citado acima, originalmente feita para o malfadado Get Back)
The Christmas Album (1970), esse, bem como outros discos, é uma coletânea de discos singles natalinos da banda.
Filmografia
A Hard Day's Night (ou "Os Reis do Iê-Iê-Iê") (1964)
The First U.S. Visit (1964)
Help! (1965)
Magical Mystery Tour (1967)
Yellow Submarine (1969)
Let it Be (versão editada das gravações de Get Back que viraria o Let it Be, 1970)
The Beatles Anthology (1994)
Get Back (versão ampliada por Peter Jackson - sim, aquele mesmo - com 53 HORAS de gravações que não tinham aparecido antes pro público, 2021)
Vários filmes foram feitos em homenagem aos Beatles, mas o melhor sem dúvidas é Yesterday (2020), recomendadíssimo pela ideia brilhante do que seria um mundo sem os Beatles terem existido... ajuda bem a imaginar isso tudo e a importância deles pro mundo todo.
Ver também
John Lennon & Yoko Ono (Plastic Ono Band)
John Lennon
Julian Lennon
Sean Lennon
Yoko Ono
Paul McCartney (& Linda McCartney)
The Wings
George Harrison
The Traveling Wilburys
Ringo Starr






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